Eu sofri um aborto espontâneo

Olá, meus queridos!

O post de hoje vem acompanhado de um pedido: por favor, compartilhe com todas as mulheres que você conhece que já passaram por um aborto espontâneo. É doloroso e eu gostaria de dizer pra você, que está lendo e está passando por isso, que você não está sozinha.

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Antes de engravidar da Luna, um ano antes, eu sofri um aborto espontâneo.

Quando eu engravidei, tanto eu quanto meu marido ficamos muito animados. Contamos pra todo mundo logo que descobrimos e a empolgação foi geral. Cada amigo ou familiar que nos encontrava trazia um presentinho, tanto pra mim quanto para o futuro bebê. Eu marquei uma consulta com uma ginecologista para começar meu pré natal e não via a hora de começar logo a sentir o que era estar grávida, afinal, nas primeiras semanas, em geral, você não sente nenhuma mudança significativa além da ausência da menstruação. Ainda não tinha enjoos nem náuseas e, obviamente, nada de barriga.

Pois bem, quanto eu estava com 8 semanas de gestação, cerca de 2 meses, estava no trabalho, fui ao banheiro e notei um pequeno sangramento. Conversei com uma amiga que já tinha passado por um aborto e ela me disse que aquilo não era bom sinal e, pra ter certeza de que tudo estava bem, me aconselhou a ir ao hospital na hora. Liguei para o meu marido e fui. Nos encontramos lá, fiz a triagem e fui direcionada para o setor de obstetrícia. Primeiro, passei por um exame de toque e, logo em seguida, fui para um ultrassom.

Meu marido estava do meu lado e a médica não falava nada durante todo o exame. Ela olhava para a tela fixamente e então eu tive que perguntar o que estava acontecendo. Então, ela me falou que o feto não tinha batimentos cardíacos e que, na imagem do ultrassom, era para aparecer uma forma esbranquiçada contínua no meio da parte escura, e a minha estava cheia de falhas nas bordas. Eu fiquei perguntando o que isso significava, e ela apenas se levantou, disse que sentia muito e saiu da sala. Eu tinha perdido o bebê.

Nesse momento eu fui ao banheiro me trocar e comecei a chorar descontroladamente. Saí para a sala de ultrassom pra encontrar meu marido na mesma situação. Depois de mais algumas conversas padrão com os médicos, nós fomos pra casa e tivemos que fazer uma das coisas mais desconfortáveis de todo esse processo: contar para as pessoas que nós tínhamos perdido o bebê.

Ligamos para os nossos pais, depois mandamos algumas mensagens para os amigos e ouvimos as mesmas palavras de apoio de todos. Não me leve a mal, eu sei que cada um deles sabia da nossa dor e só queria nos animar, afinal, eram todas pessoas muito amadas e estavam pensando no nosso bem, mas eu, pessoalmente, só queria poder pular essa parte e ficar de luto pelo meu bebê, sozinha.

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E agora, vou começar a falar somente da perspectiva da mulher que perdeu o bebê. Tudo isso que contei acima aconteceu numa terça-feira. Eu tive 3 dias de licença e, claro, meu marido não, então, fiquei em casa sozinha processando tudo isso durante os 3 dias que seguiram. Como a gestação ainda estava bem no comecinho, não precisei de nenhuma intervenção médica para eliminar os resíduos, por assim dizer. Na quarta e quinta-feira, passei os dias, literalmente, vendo meu sonho de ser mãe indo pelo ralo. Não deu tempo de ir à consulta ginecológica que tinha marcado, eu perdi o bebê antes.

Eu tenho uma lembrança desses dias que ficou grudada na minha cabeça: de mim, sentada no sofá, chorando, logo depois de ir ao banheiro e eliminar mais um pouquinho dos resíduos, vendo um desenho que eu via com a minha mãe quando eu era criança e pensando se um dia eu faria isso com a minha filha.

É, meio dramático mesmo. Mas é assim que a gente se sente quando perde um bebê, principalmente porque, quando finalmente fui à consulta e perguntei o porquê de isso ter acontecido, não havia explicação. Hoje, eu entendo que isso é muito comum de acontecer e descobri que, eventualmente, seu organismo identifica alguma falha no desenvolvimento do embrião e o elimina. Um mecanismo de defesa natural, digamos assim. É normal, não tinha nenhum problema com o meu sistema reprodutor e eu não tinha feito nada de errado. Mas tanto eu quanto qualquer mulher que passa por isso não consegue parar de tentar encontrar um erro. “Por que as outras mulheres conseguiram eu eu não?”

O processo pra tentar de novo depois do aborto foi bem cansativo, digamos assim. Meu médico me pediu uma série de exames e eu tive que esperar alguns ciclos menstruais para tudo voltar ao normal. Quando ele finalmente me liberou pra voltar a tentar engravidar, demorou meses pra finalmente acontecer. Acredite, a ansiedade é a maior inimiga das tentantes.

Mas aconteceu. Eu engravidei de novo, minha filha nasceu saudável e nós passamos várias manhãs sentadas juntas no sofá vendo desenhos animados, cantando as músicas tema e repetindo as falas das personagens. Foi em uma dessas manhãs, na semana passada, que eu lembrei do dia logo após meu aborto. Do dia em que eu sentei no sofá sozinha, chorando, imaginando quando ela iria chegar.

E ela chegou!

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Um abraço e até semana que vem 😉

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