O que é um armário cápsula minimalista e dicas para montar o seu

E aí pessoa que tá do outro lado da tela, tudo bem?

Começo esse post com uma pergunta: será que criar um armário cápsula é a forma correta de aderir ao minimalismo no que diz respeito a se vestir?

Correta?? Essa palavra me causa estranheza, viu. Eu acredito que o minimalismo é um conceito e não um kit de regras pré estabelecidas sobre o que a gente pode ter e quanto de cada coisa a gente pode ter.

Então, para começar, esqueça esse negócio de “forma correta”, combinado?

Sendo assim, qual a utilidade do armário cápsula para quem segue um estilo de vida minimalista?

O armário cápsula é uma ferramenta bem bacana para nos ajudar a montar um guarda roupas funcional, afinal, se vamos ter poucas peças de roupas, calçados e acessórios e continuar nos vestindo bem, cada peça precisa combinar com várias outras peças.

Faz sentido isso para você?

Esse conceito que surgiu, originalmente, na década de 70, não é minimalista na sua raiz mas, sim, funcional.

O pessoal da moda diz que você pode ter várias cápsulas no seu guarda roupas. Uma para o trabalho, outra para sair, outra só para os acessórios. A ideia é conseguir montar conjuntos que funcionem entre si, ou seja, que você consiga montar vários looks diferentes com uma quantidade limitada de peças porque elas todas combinam entre si.

E não tem nada de errado nisso mas, como aqui falamos sobre minimalismo, vou tomar a liberdade de adaptar o armário cápsula para alguém que vive um estilo de vida minimalista nesse post.

Se você está começando agora no minimalismo, a ideia do armário cápsula pode ser uma ferramenta bem bacana que vai te ajudar bastante a deixar o seu guarda roupas mais funcional. E se você tiver um volume grande de roupas e acessórios, pode começar criando uma cápsula para cada ocasião e depois ir observando o que faz e o que não faz mais sentido.

Se onde você mora as estações do ano são bem definidas, você também pode começar criando uma cápsula para o frio e outra para o calor.

O importante aqui é lembrar que o armário cápsula é apenas uma ferramenta que vai te ajudar a usar mais o que você já tem e ser criativa para montar looks com essas peças.

Não fique engessada na primeira cápsula que você montar. Depois de alguns meses usando ela, avalie se ainda está fazendo sentido e faça os ajustes necessários.

Passo a passo para montar seu armário cápsula

Comece reservando algumas horas da sua rotina para isso. Sem pressa e focada no SEU armário. Digo isso porque frequentemente a gente está tentando se vestir como outra pessoa se veste e isso nem sempre funciona. Cada uma de nós tem um tipo de corpo, um tom de pele, um tipo de cabelo e estatura diferentes e o que funcionou para uma pessoa pode não funcionar tão bem para nós. Foque em você e nas suas peças. Você vai compreender isso melhor no decorrer do post.

Comece desapegando

Essa primeira etapa serve para eliminar os excessos e tirar as distrações da sua vista. A gente não deve organizar tralha, lembram que eu sempre falo isso? Pois bem, a gente também não pode vestir tralhas. E como saber o que é importante e o que é tralha para a NOSSA realidade? Fazendo um bom processo de desapego antes!

Já fiz um post detalhado sobre o meu método de descarte inteligente aqui no blog. Clique aqui e use esse post para te guiar nessa primeira etapa.

Mas vou deixar uma cola aqui para você:

  • Primeiro, selecione 1 categoria específica, como por exemplo, suas camisetas pretas de manga curta;
  • Segundo, pegue todas as camisetas pretas do guarda roupas, das gavetas, do cesto de roupa suja e coloque sobre a sua cama;
  • Terceiro, selecione o que está rasgado, manchado ou em mau estado e defina se vai para o lixo ou para doação;
  • Quarto, selecione as peças lindas e em excelente estado que você simplesmente nunca consegue usar e anuncie em sites de compra e venda;
  • Quinto e último, repita esse processo para cada categoria de roupas, calçados e acessórios e, então, bora para a próxima etapa do armário cápsula versão Mila Bueno!

Monte looks na sua cama e observe

Regrinha básica para esta etapa: cada parte debaixo precisa combinar com, no mínimo, 3 partes de cima. Aqui, vestidos entram como partes debaixo, tá?

Agora que você já eliminou os excessos, comece a montar looks sobre a sua cama seguindo a regrinha acima. Pegue 1 parte debaixo e tente combinar ela com 3 partes de cima. Brinque com os calçados e acessórios para essas combinações também, porque, para eles, não tem regra.

Observe suas roupas, calçados e acessórios e coloque o autoconhecimento em ação reparando nas questões abaixo:

  • Quais cores já predominam no seu guarda roupas?
  • Que tipo de peça você mais gosta de usar? Saia ou calça? Camiseta ou blusinha? Salto ou rasteiras? Acessórios grandes ou discretos? Ou ainda uma mistura de tudo isso?
  • O que você não gosta mais e foi o tipo que mais foi embora na hora do descarte?
  • Ouvi dizer que existem 7 estilos universais: clássico, tradicional, romântico, criativo, básico, sexy e dramático. Qual o estilo que predomina e você já se identifica?
  • O que você acha que precisa adquirir para o que seus looks funcionem melhor? De vez em quando só o que falta é uma peça basicona que vai ir muito bem com quase todas as suas outras peças.

Nessa etapa 2 coisas interessantes podem acontecer. Primeiro, pode ser que você desapegue de mais peças e, segundo, pode ser que você crie uma lista de compras.

Se você só consegue combinar uma blusinha com uma única parte debaixo, significa que ela não está sendo funcional no seu guarda roupas. É uma forte candidata a ser desapegada.

Mas você também pode perceber que, se você adquirisse uma camiseta branca lisa, por exemplo, conseguiria criar vários outros looks com os acessórios, calças, shorts e saias estampadas que você já tem.

Experimente – e fotografe seus looks, se necessário

Agora chegou a hora de provar os looks que você montou em cima da cama. Pegue o maior espelho que você tiver, prove os looks completos, com calçados e acessórios e veja se está satisfeita com os resultados.

Uma dica extra é fotografar você mesma vestindo os looks e salvar como um catálogo para consultar na hora de se vestir. Isso vai ajudar, especialmente, se está começando agora a desapegar e ainda ficou com muitas peças no guarda roupas.

Você pode salvar todas essas fotos no Evernote e criar uma nota para cada categoria de looks com todas as fotos agrupadas ali, juntinhas. Você vai poder acessar do seu celular de um jeito bem organizado. E se você não sabe o que é esse tal de Evernote, clique aqui.

Mas, qual o limite de peças que eu posso manter para o meu armário cápsula, Mila?

Bom, originalmente o armário cápsula sugere números bem definidos: 15, 30, 45 ou 50 peças, considerando os calçados e acessórios.

Mas, como eu estou apresentando para vocês o armário cápsula apenas como uma ferramenta para começar a levar o conceito minimalista para o seu guarda roupas, indico que você mantenha a quantidade de peças que fizerem sentido para você depois de todo esse processo que nós fizemos aqui nesse post.

Se você seguiu todo o processo bem focada e ficaram 100 peças, fique com as 100. Se Ficaram 30, fique com as 30.

Apenas olhe para o seu guarda roupas e se sinta satisfeita com o resultado. Se no futuro você perceber que está sobrando, refaça as etapas sugeridas aqui e elimine mais peças. Se perceber que estão faltando peças, adquira mais.

Foque sempre em ter um guarda roupas que funcione e se encaixe na imagem que você gosta de ver no espelho.

Abraços e até semana que vem 😉

“Sou minimalista. Como convencer as pessoas ao meu redor a se desfazer das suas tralhas?”

Ultimamente tenho percebido uma dúvida constante entre as pessoas que seguem o estilo de vida minimalista: Como convencer a pessoa que mora comigo a se desfazer das tralhas que ela acumula?

É, acho que essa é a batalha travada por todos que começam a seguir o estilo de vida minimalista e acredito que por todas as pessoas que decidem fazer diferente, que escolhem hábitos alternativos ao senso comum, seja em qual área da vida for.

Esse texto está sendo escrito pra te ajudar a lidar com esse problema de forma positiva e leve, digamos, de forma minimalista!

Hoje, eu entendo o minimalismo como a forma mais certa de se levar a vida.

Para mim.

Para minha família.

Ponto.

Não sei se já contei pra vocês aqui no blog mas eu já fui bastante consumista. Então, acho que, como alguém que já viveu os dois extremos – consumismo e minimalismo – posso declarar que, minimalismo não é o contrário de consumismo.

Não.

Dizer isso seria desmerecer demais o conceito do minimalismo que é tão mais profundo e abrangente. Não, não se trata apenas de bens materiais. Abrange o mental e o emocional muito mais que o material. Aliás, o minimalismo começa na mente.

Então, como você vai persuadir alguém a se desfazer das coisas? Simples, não vai.

Eu sei, não era essa a resposta que você esperava. Mas essa é a verdade. O minimalismo é o foco no que é importante para cada um de nós, como indivíduos únicos e singulares, eliminando todos os excessos, as sobras, as atividades e tarefas que ofuscam nossa atenção daquilo que realmente nos faz feliz e realizados. Isso faz com que nós, que seguimos o estilo de vida minimalista, tenhamos menos coisas. Assim como menos tarefas. Assim como menos preocupações. Assim como menos relacionamentos rasos. E por aí vai, porque, no final das contas, é surpreendente a quantidade de coisas que só estavam na nossa vida “porque sim”.

Mas calma que eu não vou te deixar desamparado e sem resposta.

Meu conselho para você, como alguém que conviveu bastante com pessoas não-minimalistas quando se trata de excesso de bens materiais, é o seguinte: compreenda que, assim como hoje você acredita piamente que o modo de vida minimalista é a melhor coisa que existe no universo por causa de todos os benefícios que ele te traz, as outras pessoas podem acreditar no que acreditam exatamente pelo mesmo motivo.

De alguma forma, em algum momento, fez muito sentido para elas ter todas as coisas que tem. Por algum motivo, muitas vezes emocional, as pessoas não conseguem desapegar. Seja pelo período histórico em que viveram, pela família em que foram educados ou pela quantidade de dinheiro que possuíam na juventude ou ainda a combinação de todos esses fatores. Algumas pessoas acreditam piamente que não faz sentido se desfazer de nada.

E sabe como você pode ajuda-las? Permitindo que os benefícios do minimalismo na sua vida falem mais alto que suas palavras pedindo para que essa pessoa “peloamordedeus, jogue fora toda essa tralha”. Focando seus esforços no que é importante: alcançar uma vida mais significativa aplicando os conceitos do minimalismo na sua própria vida.

Pequeno lembrete pra você: nenhum destralhe vale a pena se custar o bom relacionamento com a sua família.

Pra mim, isso entra na primeira posição da categoria “importância”.

E se você quer uma ajuda específica para a arte do desapego, tem material gratuito desenvolvido com muito cuidado por mim aqui na área de DOWNLOADS do site. Vai lá conferir!

Mala de viagem minimalista

Estou em clima de viagem e querendo compartilhar com vocês tudo que está funcionando pra mim na hora de organizar as malas.

Já escrevi aqui no blog sobre fazer e desfazer as malas sob o ponto de vista da organização de tudo o que vai nela e, hoje, quero falar sobre outro ponto de vista, sobre montar uma mala de viagem minimalista.

Lembram do texto em que eu falei sobre o que é o minimalismo pra mim (clique aqui se ainda não leu)? Vamos começar adaptando esses conceitos minimalistas para a montagem da mala.

Se minimalismo é sobre foco no que é importante, eliminando os excessos, podemos dizer que montar uma mala de viagem minimalista é focar no que realmente é importante ser levado para o seu destino, eliminando tudo o que tem grandes chances de ir e voltar sem ser nem tocado, os famosos excessos.

Na hora de focar no que é realmente importante, existe um caminho que vai facilitar essa linha de raciocínio, algumas perguntas que você irá fazer pra você mesmo na hora de planejar sua viagem e que vão ter impacto direto na hora de montar a mala.

Olha só as 2 questões que eu costumo considerar:

  • Quais atividades eu vou mesmo fazer no meu destino e o que eu preciso levar pra fazê-las confortavelmente? Vou a alguma festa ou evento? Vou fazer trilhas ou caminhadas?
  • Como vai estar o tempo? Se a gente vai pra praia, já pensa nos biquínis e chinelos, se vai para o campo, já pensa em calçados fechados, mas, mais que isso, é importante reparar na época do ano e em como está o tempo lá. Se conhece alguém que mora no lugar do seu destino de viagem, pergunte se tem chovido ou se tem feito muito sol.

Essas 2 perguntas nos levam a pensar somente no que vamos usar e parar de encher a mala de itens que pertencem à categoria “vai que eu preciso”.

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E uma dica extra pra você: elimine o máximo de volume que você puder. Ao invés de levar um pote de tamanho padrão de shampoo, coloque um pouco do produto em um potinho menor. Use toalhas esportivas, daquelas que ocupam um espaço mínimo. Confine suas coisas em necessaires, que vão ficar daquele mesmo tamanho dentro da mala sem esparramar para os lados e enroscar nas demais coisas na hora de tirar da mala.

Pense que o trajeto também faz parte da viagem e que você não precisa ir desconfortável e cheio de bagagens nos braços ou nos bancos do carro, incomodando pelo peso ou tomando o seu lugar na hora de sentar.

Fiz uma viagem recentemente com meu marido e minha filha de ônibus, com 5 dias de duração, para o litoral e esse é um exemplo interessante da frase acima.

A Luna ainda quer colo com frequência quando estamos na rua e ela já está pesada. Carregar a bagagem + bolsa + brinquedos e por aí vai é bastante desconfortável. Além disso, no ônibus de viagem, a gente sempre tira um cochilo e quer poder esticar as pernas e recostar o assento. Não dá pra fazer isso direito se estivermos carregando um monte de coisas.

Então, lancei um desafio para nós nessa viagem: levar tudo o que poderíamos precisar em apenas 2 mochilas. Sem a minha bolsa, sem sacolinhas, sem nada além das 2 mochilas.

E assim fizemos.

E deu certo!

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Nossa bagagem nessa última viagem!

2 adultos e 1 criança por 5 dias na praia com apenas 2 mochilas e nada mais foi um feito e tanto e uma das decisões que tornou isso possível foi deixar pra comprar fraldas descartáveis e algumas comidas no nosso destino ao invés de levar de casa. Nós nunca tínhamos feito uma bagagem tão enxuta assim e eu percebi que não só é possível como também muito mais confortável. Quando eu estava arrumando a mala da volta, percebi que tinha até alguns excessos e que, na próxima viagem, poderei deixar as malas um pouco mais folgadas.

Outro detalhe que nos ajudou bastante foi levarmos sacolinhas retornáveis, daquelas que dobram e se encaixam em um saquinho pequeno, pra trazermos as sobras das fraldas e achocolatado que compramos para a Luna, assim como comprinhas que fizemos por lá.

O que você achou dessa ideia? Topa entrar nesse desafio de fazer uma mala enxuta na próxima viagem? Me conta aqui nos comentários!

O que acontece depois que seus hábitos de compra se tornam minimalistas?

Quando eu falo sobre MINIMALISMO sempre falo sobre viver com menos e isso impacta diretamente em nossos hábitos de compra. A gente DESAPEGA, mas corre o risco de deixar mais coisas entrarem pra construir de novo o montinho dos excessos, a não ser que nossos hábitos de compra também sejam minimalistas, certo?

O processo começa pelo descarte, passa pela organização e termina nos nossos hábitos de compra. Isso vira um ciclo onde uma etapa dá respaldo para a outra e quando a gente pega o jeito da coisa, a tralha não se instala mais.

Quer saber qual o ciclo?

Olha só:

Você aprecia mais o que já tem

Isso começa no processo de descarte. Na hora de selecionar o que fica e o que vai, nós já usamos o critério da apreciação: só fica o que é importante pra mim, o que eu gosto muito, o que me faz sentir bem.

Nada mais natural que, depois que o descarte foi feito e as coisas foram organizadas, a gente aprecie muito mais tudo o que possui.

Você fica mais seletivo quanto ao que deixa entrar na sua vida

Tanto quanto ao que compramos quanto ao que ganhamos de presente. Se seus looks estão todos funcionando, você não compra qualquer coisa só porque está na promoção. E quando você ganha alguma peça de presente, não se sente na obrigação de usar porque ganhou. Se com o tempo essa peça não der certo, você se sente livre pra se desfazer dela.

Você fica com os olhos treinados para identificar quais novas aquisições vão funcionar com o que você já tem

MEU DEUS! Olha esse sapato MA-RA-VI-LHO-SO com salto agulha, dourado, com pedrinhas… CALMA! Eu já tenho um salto igualmente lindo, em ótimo estado, que me serve muito bem e combina com todos os meus vestidos. E pra falar a verdade, não tenho tantas ocasiões assim onde uso salto para justificar ter mais um par. O que está fazendo falta para o meu estilo de vida agora é um tênis. Beijo sapato MA-RA, vou para o setor dos tênis.

Simples assim. Captou a ideia?

Você para de comprar lembrancinhas e cacarecos cada vez que entra em uma loja

Viagem. Você está numa lojinha de suvenir cheia de canetas, chaveiros, camisetas e canecas com o tema local. No passado, compraria um de cada e por mais que você jurasse pra você mesma que usaria tudo, todos acabariam no fundo de uma caixa. Hoje, você prefere levar apenas um item de lembrança dessa viagem ou – pasme – somente as fotografias. Você não traz excessos para sua vida e escolhe algo que pode ser exposto e, assim, te trazer a alegria de mais uma viagem realizada a cada vez que você olhar. Tem um post dedicado somente a expor as coisas importantes, clique aqui para ver.

Você começa a substituir ao invés de somente acrescentar

Beleza, o processo de descarte e organização foram feitos e a gente ama tudo o que tem. Isso significa que nunca mais vamos comprar nada? Não! Significa apenas que quando uma coisa entra, outra sai. Se o sapato MA-RA te conquistar de uma forma avassaladora e funcionar ainda melhor na montagem dos seus looks do que o sapato que você já tem, você, tranquilamente, deixa o sapato antigo ir embora para dar lugar ao novo.

E a organização se mantém, e você sempre aprecia o que tem e, consequentemente, continua seletivo quanto ao que deixa entrar na sua casa… e a roda vai girando.

Não é a toa que nossos hábitos de compra tem esse nome. São hábitos e, como tal, demoram pra se instalar quando a gente decide mudar então, tenha paciência com você mesmo se ainda compra algumas coisas por impulso.

Um abraço e até semana que vem 😉

Por que sou minimalista?

Eu estava passeando pelo Pinterest uma vez e vi um texto que me chamou a atenção.

Pelo título, percebi que a autora estava dizendo que reduziu tanto suas posses que acabou ficando sem nada numa casa grande e acabou sentindo falta de algumas coisas. Foi só passar os olhos pelo artigo que uma coisa passou pela minha mente de imediato: talvez a definição de minimalismo pra quem ainda não está familiarizado com o conceito pode estar equivocada. Como eu falei pra vocês que vocês podem me considerar minimalista no post Como lidei com a crise: parte 3 , acho que está na hora de falar sobre o que é o minimalismo pra mim.

Então vamos lá: pra quê reduzir a quantidade de coisas que a gente possui, ou seja, ser minimalista? Pra começar, ser minimalista não é apenas sobre reduzir, sobre se desfazer de quase tudo e viver com o que cabe numa mochila. Existem pessoas que fazem isso, mas essa foi a forma delas de encarar o minimalismo, baseado num conceito. E é sobre o conceito – pelo menos sobre o que eu entendo como “o conceito de minimalismo” – que eu quero conversar com vocês hoje.

por que sou minimalista Mila Bueno

Minimalismo pra mim tem tudo a ver com autoconhecimento, com saber identificar, na sua vida, o que é importante e o que é tralha e isso é diferente pra cada pessoa.

Existem livros e artigos online sobre minimalismo e é claro que você vai encontrar listas e mais listas sobre o que se desfazer mas hoje eu não quero deixar mais uma lista pra vocês, eu quero falar um pouquinho sobre pensar de forma minimalista.

A primeira vez que eu me deparei com o conceito de minimalismo como estilo de vida, eu não entendia muito bem o que levava algumas pessoas a viver de uma forma tão simples sendo que existem milhares de aparatos hoje em dia pra facilitar quase todas as tarefas. Eu não entendia porque ter menos se a gente pode ter um utensílio super moderno pra cada função. Não faria mais sentido ter essas coisas e aí sim, ter uma vida mais simples, já que elas existem pra facilitar?

Não necessariamente.

por que sou minimalista Mila Bueno

Vamos relembrar uma coisa: tempo é a coisa mais preciosa que a gente tem.

Se passar, passou, não dá pra voltar e viver o último domingo de novo. Então, se o tempo é uma coisa tão rara, a gente precisa prestar bastante atenção em como ele está sendo gasto. O que acontece é que a gente está sempre reclamando que não tem tempo, que a agenda está cheia e é aí que está o xis da questão. Pra quê você precisa de mais tempo? O que está faltando na sua vida, o que você não está conseguindo fazer porque todo o seu tempo é ocupado com outras atividades? Será que não tem supérfluos tomando o lugar do importante?

E foi pensando no quanto o tempo é precioso que a resposta para a pergunta de 3 parágrafos acima começou a ficar clara pra mim.

O propósito de ser minimalista é fazer um sistema que leve em consideração o nosso tempo e o que é realmente importante pra nós – como indivíduos únicos que não são iguais a mais ninguém no mundo – e ter somente as coisas que atendem esses dois requisitos. Minimalismo tem que ter propósito. Por que EU estou reduzindo a quantidade de coisas que eu possuo? Para o quê eu quero mais espaço? O que eu gostaria de ter e não consigo porque alguma coisa que entra na categoria “excessos” está tomando o seu lugar?

por que sou minimalista Mila Bueno

Quer um exemplo real, da minha vida, pra ilustrar isso? Nós não temos carro, meu marido e eu. Nunca tivemos e, pelo menos por enquanto, não pretendemos ter.

Também não temos TV por assinatura e, o valor que nós gastaríamos mensalmente com um carro e a TV por assinatura, que nós já tivemos e sabemos bem quanto nos custava, possibilita que a gente não economize na qualidade das fraldas da Luna, que a gente ande de Uber sempre que quisermos, possamos sair pra comer fora toda a semana e possamos pagar por serviços que a gente mais gosta e mais usa como o Evernote versão pro, por exemplo.

Percebe que isso é apenas uma escolha entre o que é realmente importante pra gente e o que nós podemos viver sem, além de a gente não precisar ganhar mais dinheiro pra conseguir coisas de muita qualidade simplesmente por que nós eliminamos o que nós não fazíamos questão de ter, os excessos?

Quando a gente fala sobre reduzir, automaticamente coisas materiais vem à mente. Mas e as newsletter que a gente recebe por email só pra apagar sem ler, as fotos digitais que gente nunca filtra e depois não encontra a que quer, os relacionamentos tóxicos com pessoas que te fazem sentir mal, as atividades sociais feitas apenas “porque tem que ir”?

Reduzir abrange todas as áreas da vida e fazendo isso, a gente consegue direcionar nosso tão precioso tempo e nosso suado dinheiro pra o que é realmente importante pra nós, sem esperar a aposentadoria pra ter uma vida plena.

Isso é minimalismo pra mim.

Exponha o que é importante

Semana passada vocês acompanharam o último post da série sobre esse último ano pra mim e minha família, em ritmo de crise, e eu só tenho a agradecer a todos pelo carinho expressado nos comentários aqui no blog, no Instagram e no pessoal. Descobri que eu não estou sozinha na minha luta e foi muito bom descobrir que nenhum de nós está sozinho e temos espaço pra nos abrir sobre isso.

Se você está chegando agora aqui no blog, clique aqui pra ver o primeiro post que eu fiz sobre como lidei com a crise.

Bom, segunda passada eu falei um pouco sobre todos os benefícios que esse período de privação me trouxe, e não foram poucos. Se eu puder generalizar todos os benefícios em uma frase, seria “aprendi a dar importância ao que é importante”, assim, toda redundante mesmo rs.

Em todas as leituras que fiz nesse último ano, percebi uma ideia comum a todos eles, mesmo que cada um tratasse de uma coisa diferente. Todos os livros que li, de alguma forma, me incentivaram a focar no que é importante e me livrar dos excessos, do que não importa tanto, ou seja, todas as coisas que eu tenho na minha vida “porque sim”. – Por que você tem esse livro se você nunca leu?

– Ah, porque um dia vou ler. -Por que tem essa peça de roupa se não te cai bem?

-Ah, porque eu vou emagrecer e vai servir.

Por que tem essas fotos incríveis, o convite do seu casamento, as lembranças de viagens que provocam um sorriso no rosto cada vez que você olha pra elas, guardadas em um lugar pouco acessível?

Opa! Para as primeiras duas perguntas o destino das coisas acaba sendo ir embora. Mas pra essa última, não. Pra essa última, acho que a resposta deveria ser: exponha tudo isso. Eu fui aprendendo que se uma coisa me faz feliz cada vez que eu olho pra ela eu deveria olhar pra ela com mais frequência. Se é tão importante, por que está guardado no fundo de uma caixa no lugar menos acessível do guarda-roupas, fadada ao esquecimento?

Não sei porque a gente faz isso, de verdade. Mas acho que parar de fazer isso é uma coisa muito boa! Faz sentido isso pra vocês?

Quem tá me acompanhando sabe que a maioria dos pertences da minha família ficaram empacotados por meses e que meu marido e eu fizemos várias excursões ao guarda móveis, em cada vez trazendo mais algumas coisas pra nossa casa atual. Então, como o espaço aqui é reduzido, analisar todas as coisas e manter só o que gostamos muito foi uma coisa que precisou acontecer. E cada vez que a gente se deparava com uma lembrança que provocava sorriso no rosto, a gente pensava “e se a gente expor isso aqui onde moramos agora?”

Expor as coisas não foi uma novidade pra gente. No nosso apê antigo, a gente já expunha exatamente o que vou mostrar pra vocês nas imagens abaixo, mas a sensação de fazer isso aqui foi diferente.

A ideia de só possuir SOMENTE as lembranças que estão expostas e descartar o restante simplesmente pelo fato de nunca olhar pra elas só surgiu aqui. E tá fazendo um bem danado pra mim acordar e dar de cara com imagens tão felizes!

É assim que está nossa parede galeria aqui

A minha ideia foi misturar decoração com funcionalidade. Tem tanto fotos, quadros e itens que marcaram a vida da gente quanto ganchos para a organização, um relógio e um porta chaves.

Como, no momento, nós moramos em um quarto, tá tudo na mesma parede. Mas acho que, quando voltarmos pra casa, dependendo da disposição dos cômodos, vai ter algumas coisas logo na entrada, outras decorando o cantinho da Luna e o restante, o cantinho do casal. Eu mostro pra vocês como ficou quando chegarmos lá, combinado?

Espero que vocês tenham se inspirado a tirar seus tesouros do baú! Grande parte da minha inspiração pra ir me desfazendo das coisas, e da força pra fazer isso, veio de tudo o que eu li sobre organização e minimalismo e, a inspiração mais recente – e mais radical, eu diria – veio do livro A mágica da arrumação, da Marie Kondo.

Você tem coisas expostas aí na sua casa? Me conta aqui nos comentários o você deixa exposto que mais rende conversa com as visitas!