Como lidei com a crise: parte 3

Olá, meus queridos!
Bora pra parte boa de toda essa história?
Se você é novo por aqui e ainda não leu o começo da minha experiência com a crise, para por aqui, clique aqui pra ler a parte 1 e aqui pra ler a parte 2. Daí volta aqui pra ler, tá?
Depois de tanto perrengue e de começar a pesquisar mais sobre o estilo de vida minimalista, uma coisa mágica aconteceu. O sentimento de frustração foi embora! Pouco a pouco, a passos lentos mas que não deixavam de ser um movimento pra me tirar da inércia, eu comecei a me aceitar. Aceitar que era normal me sentir frustrada por ter perdido grande parte do que era, na época, importante pra mim. Aceitar que a minha vida estava acontecendo hoje, agora, nesse momento que estou escrevendo pra vocês e eu não podia desperdiçar nada. Aceitar que eu tinha escolha, que o poder de mudar as coisas estava na minha mão, que não existe uma situação ruim ou boa, o que existe de verdade é a forma como eu reajo a cada situação. Aceitei que eu é que escolhia como eu iria lidar com tudo o que estava acontecendo. Aceitei que fazer cara feia ou não está sob o meu poder de escolha. Aceitei que quem se irrita e se frustra sou eu. Aceitei que eu posso escolher sorrir ou chorar. Aceitei que eu é que decido se vou me deixar levar pelo que aconteceu de ruim ou se vou buscar relembrar tudo o que aconteceu de bom. Compreendi que o poder está na minha mente. Isso parece ser papo de maluco mas acontece que é real.
Foco, essa é a palavra chave. Isso foi o que eu busquei desde o começo desse ano e fez toda a diferença na minha vida. E é isso que o minimalismo significa pra mim: ter foco.
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Mas foco no quê? No que é importante. Minimalismo pra mim começa com uma jornada de autoconhecimento. Você precisa saber quem você é, do que você faz questão na vida, o que te faz bem e o que te faz mal. Você precisa saber do que você gosta, o que você realmente quer comprar. É só quando você sabe quem você é que você consegue separar o que é importante pra você do que não é. É só quando você se conhece que você consegue ficar só com o essencial e identificar o que é excesso e precisa ser eliminado da sua vida. E isso não é uma coisa que a gente alcança de uma hora pra outra. A jornada do autoconhecimento tem começo mas não tem fim. A gente se descobre e aprende mais sobre si mesmo o tempo todo, com cada situação que passamos.
O segredo mora na decisão de se conhecer, no momento em que a gente escolhe que quer tomar esse caminho. E aí a minha tão querida lei da atração vai trazendo os meios e as situações pra que a gente se conheça mais e mais, se descubra mais a fundo, aprenda a dizer não para o que não é importante, para o que não é essencial.
Como eu disse na parte 1 dessa série, cada livro que eu li nesse período me ensinou e me inspirou de alguma forma, e me ajudou a enxergar o poder imensurável que nós assumimos quando aprendemos a ser gratos, a mudar o foco. Imagine o seguinte: você tira uma foto de um bebê dando um sorriso fofo, mostra pra alguém e aí a pessoa repara que apareceu o seu pé na foto ou alguma outra coisa bizarra que você nunca ia ver se ela não te mostrasse. Essa situação é familiar? Se sim, então você tem uma ideia do que é ter foco. Se você foca no que está acontecendo de bom, todo o resto vai pra segundo plano, assim como o seu pé na foto do sorriso do bebê. Ele está lá, mas você quase não percebe.
O minimalismo trata de só ter e fazer o que é importante, eliminando os excessos e buscando uma vida mais completa, mais simples, mais realizada. Não faz total sentido isso?
Pra mim fez, muito. E é assim que eu estou buscando viver agora. Então, tudo bem, podem me considerar uma pessoa minimalista!
Eu acho rsrs…
Tem mais alguns frutos que eu colhi desse período tenso da minha vida, e que quero compartilhar com vocês…mas só segunda-feira que vem na parte final, beleza?
Beijos e até semana que vem ;D
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Como lidei com a crise: parte 2

Olá, meus queridos!

Tudo bem?

Semana passada eu comecei a contar pra vocês um pouco da minha história nessa crise toda. Vamos continuar?

Se você não viu o post da semana passada, clique aqui, vai lá ver e depois volta!

Lembram que eu falei que meu marido foi demitido quando minha filha tinha um mês? Então, quando a demissão do meu marido fez aniversário, exatamente depois de um ano desempregados, finalmente um emprego apareceu! Só tinha um porém, pagava cerca de um terço do que ganhávamos antes e não ia dar pra voltarmos pra casa. E lá veio entusiasmo seguido de frustração, o pior tipo, creio eu, que é quando você eleva suas expectativas ao nível mais alto e aí vai ao chão logo em seguida. O tombo dói mais quando a gente cai do telhado que da cama, né?

 

Mas aí um processo interessante começou a acontecer. Sabe aquele frase bem clichê “há males que vem para o bem”? Então, antes do emprego novo, quando a gente ficou sem renda, fomos forçados a ser criativos quanto ao dinheiro que tínhamos, afinal, aquele montante tinha que dar pra fazer tudo o que precisava e que se queria fazer. Pois bem, ter que passar por um período sem grana nos tornou criativos.
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No começo de todo esse perrengue, a gente esperava que a qualquer momento uma nova renda ia surgir, de algum lugar, mas estávamos muito infelizes com a nossa rotina, muito insatisfeitos com tudo. Íamos ficar morando de favor só por alguns meses, logo isso ia acabar, certo? Errado! Depois de um ano aqui a ficha foi caindo. Um ano era tempo demais pra ficar infelizes e insatisfeitos assim. Um ano era um período muito longo pra deixar de fazer tudo o que nós gostávamos. Um ano era muito tempo pra não usar nada do que nós tínhamos. E eu digo isso porque no começo houve muita resistência da nossa parte sobre trazer nossos pertences pra cá. Isso era temporário e logo logo a gente ia embora, é o que eu dizia pra mim mesma o tempo todo, então a gente ia dando um jeito com o que tinha aqui.

Lembra do Segredo? Lembra de uma parte que diz que, em termos gerais, pra atrair mais felicidade você precisa estar feliz porque semelhante atrai semelhante? Infelizes e concentrando todos os nossos esforços na nossa infelicidade, era isso que a gente ia ter mais e mais: infelicidade.

Como a gente tinha pouco morando aqui, a gente começou a viver com pouco. No começo, pelos motivos errados. Mas todo esse processo de escassez nos forçou a encontrar os motivos certos. Nos fez perceber que não importa a situação que estamos vivendo, dá pra ser feliz agora, aqui, com o que temos, onde vivemos.

O “viver com pouco” começou a acontecer da forma certa e pelos motivos certos quando duas coisas aconteceram. Primeiro, quando a gente teve que administrar nossos gastos como família com o salário do meu marido que era um terço do último salário, o que ele recebia antes da crise e, segundo a gente começou trazer algumas coisas nossas pra cá, pelo menos as que eram viáveis de se colocar no quarto onde morávamos.

O primeiro acontecimento foi que o salário anterior do meu marido sustentava um casal e duas cachorras. Agora, a gente tinha um terço disso pra viver em 5 seres vivos, um casal, duas cachorras e um bebê! A família aumentou bonito, porque um bebê demanda uma porcentagem grande dos gastos em relação ao total, e o salário diminuiu. Se existia um momento em que precisávamos ser criativos, o momento era esse.

O segundo acontecimento, começar a buscar nossas coisas onde estavam guardadas, nos fez perceber que a gente não lembrava de muita coisa que a gente tinha. Por um lado, isso foi bom, cada caixa que a gente abria no depósito era como se tivéssemos ganhado coisas novas. Mas, por outro lado, a gente ficou um ano sem usar a maioria dos nossos pertences. Será que era tudo importante pra gente mesmo? Será que a gente precisava ter tudo aquilo? É claro que tem coisas que a gente não ia usar mesmo, como a geladeira, por exemplo. Tem geladeira aqui na minha sogra, não precisamos trazer a nossa pra cá mas vamos precisar dela quando voltarmos pra nossa casa, então, tem que ficar guardadinha lá mesmo. Mas, e os livros, algumas roupas e acessórios, jogos de vídeo game e de tabuleiro etc? Dava perfeitamente pra trazer algumas coisas pra cá e usar mas a gente não fez isso, nem lembrou que tinha alguns itens. E aí, será que é relevante possuir tudo isso mesmo? Tínhamos um salário baixo e um monte de coisas paradas, sem uso e sem a vontade de usar de novo. Será que dava pra fazer uma graninha aí?

 

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Dava. E deu.

Comecei a pesquisar sites de compra e venda de itens usados, criei minha lojinha no enjoei, anunciei e continuo anunciando até hoje tudo o que não se encaixa mais na minha vida e fomos complementando nossa renda pra começar a eliminar as dívidas e viver um pouco melhor.

E, foi nesse clima de análise da relevância que as nossas coisas tinham pra gente, e no fato de a gente ter que viver com pouco simplesmente pela limitação do espaço físico, que eu comecei a pesquisar sobre o estilo de vida minimalista. Morar num quarto por mais de um ano com uma filha pequena e 2 cachorros me mostrou que a gente não precisava de tanto espaço quanto a gente achava que precisava pra viver bem e nem de tantas coisas.

Dá pra viver com menos, com menos tudo, com menos coisas, com menos problemas, com menos preocupação, com menos stress.

O desfecho disso tudo foi super positivo pra gente e eu vou contar ele pra vocês segunda-feira que vem.

Até semana que vem ;D

Como lidei com a crise: parte 1

Olá, meus queridos!

Sim, a crise chegou por aqui. Você pastou nesse período também? Pois é…comigo foi assim que aconteceu:

Bom, como eu disse pra vocês semana passada, eu passei por um período difícil, o que me fez, dentre outras coisas, parar de escrever para o blog por um momento. Uma dessas “outras coisas” foi a escassez financeira que nós passamos aqui em casa. E olha a ironia aí, porque o interessante disso é que ficamos sem casa de verdade, porque tivemos que sair do apartamento que alugávamos no centro de sp pra vir morar num quarto vago na casa dos meus sogros.

E isso tudo porque a crise financeira no país alcançou a minha família.

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Veja bem, quando eu ainda estava grávida da minha filha, conversei com meu antigo chefe e falei sobre minha intenção de não retornar ao trabalho depois que a minha licença maternidade terminasse. Na época, era claro pra mim, pelas experiências que observei nas mulheres à minha volta, que se eu quisesse participar ativamente da primeira infância da minha filha, não poderia ter uma vida profissional de sucesso, então, pedi as contas. Mais pra frente eu descobri que isso não é verdade, que nós mulheres não precisamos escolher entre família e carreira e que dá sim, pra se planejar direitinho e ter realização nessas duas áreas da vida. Com um bom planejamento, vale reforçar.
Esse assunto rende muito, então, não se preocupem que a gente fala sobre isso mais pra frente, tá?

Bom, quando minha filha nasceu eu já estava fora do mercado de trabalho e, só fiz isso porque o salário do meu marido cobria nossas despesas na época. Sei que muita mulher por aí não tem essa opção, de continuar ou não trabalhando quando o filho chega, porque o salário dela vai fazer muita falta no orçamento familiar, então, me sinto privilegiada por ter tido essa escolha.

Até aqui, nada de crise.

Mas nem tudo são flores. Quando a Luna tinha 1 mês de vida meu marido foi demitido. Crise, corte de gastos, essas coisas. E foi aí que o negócio começou a desandar. A gente não tinha muita grana guardada, na verdade, guardada mesmo a gente não tinha nenhuma. Só tinha um montante lá na conta porque meu marido recebeu os acertos em função da demissão e, eu, recebi o que estava parado no INSS quando fui afastada do trabalho. Eu tive a tal da hiperemese gravídica na gestação da Luna e fui afastada do trabalho em função de todo o mal estar que eu sentia (se você quiser saber mais como foi minha gravidez, clique aqui).

Na época, acho que tinha alguma greve rolando nesse setor e eu recebi tudo que tinha pra receber do INSS de uma vez perto da data do parto, então, esse era o dinheiro que a gente tinha. Planejamento financeiro para o futuro? Não existia pra gente.

Como agora nós éramos uma família, não dava pra ficar sem renda. Meu marido começou a se candidatar para todas as vagas possíveis mas nenhuma entrevista apareceu. A gente foi levando até onde deu, mas quando só tem saídas da conta bancária e nenhuma entrada, uma hora o dinheiro acaba e, quando estava próximo de acabar, decidimos aceitar a oferta dos meus sogros pra vir morar com eles até nos reerguermos.

Alugamos um guarda móveis pra colocar nossos pertences, o que seria um gasto mensal bem inferior ao que a gente tinha com aluguel+condomínio+todos-os-gastos-de-uma-casa, e trouxemos pra cá só o essencial, afinal de contas a qualquer momento alguma coisa ia aparecer e nós voltaríamos pra nossa casa.

Acontece que não foi bem assim. As buscas por um emprego novo não pararam mas nenhuma vaga aparecia. Nós passamos alguns meses sem grana nenhuma, com uma montanha de dívidas, contando com a ajuda da família e dos amigos pra pagar o leite da minha filha, a ração das cachorras, nossa comida…

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Frustração era a palavra que me definia nesse período. Frustração. Onde foi que eu tinha errado pra vir parar nessa situação?

Eu não sei dizer por quanto tempo eu dormi e acordei tentando me concentrar em outra coisa que não fosse o quanto tudo estava ruim mas, garanto pra vocês que foi muito tempo.

Eu sofri, eu chorei, eu me irritei, eu perdi a linha, eu me descabelei. Aconteceram brigas entre eu e meu marido que nunca tinham acontecido, afinal estávamos passando por situações que nunca tínhamos passado e eu achei, honestamente, que em algum ponto, eu entraria em depressão.

Foi no meio desse furacão que eu comecei a escrever o blog. Eu precisava encontrar alguma coisa que eu gostasse de fazer, alguma coisa que me permitisse tirar a mente de tudo isso, e eu encontrei. Cada livro que eu já fiz resenha pra vocês aqui no blog foi um tijolinho que formou minha estrutura de hoje e me ajudou a passar por esse período. Foi difícil, foi tenso, foi sofrido, mas me fez crescer. Me fez evoluir tanto que hoje eu agradeço por tudo isso ter acontecido.
É meus queridos, e eu costumava ter certeza de que essa frase nunca sairia da minha boca, ou no caso, nunca seria escrita por mim.

Aquela frase que usei no último post me define hoje: você nunca sabe a força que tem até que sua única opção é ser forte.

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Semana que vem a gente continua porque tem mais história pra contar, volta aqui segunda-feira, tá?

Até semana que vem ;D