Você não é a sua mente

Seu cérebro é uma máquina poderosa
programada para operar de uma determinada forma.

Assim como seu estômago, intestino e cada órgão do seu corpo, o cérebro segue padrões.

E um dos padrões que eu quero chamar a atenção aqui é o fato de que seu cérebro sempre vai querer poupar energia e colocar tudo no piloto automático.

Ou seja, os hábitos ruins que você acha que tem porque é preguiçosa ou outra coisa pejorativa, na verdade, é só uma atividade que você fez muitas vezes, repetidamente, e seu cérebro colocou no piloto automático pra poupar sua energia.

Você faz sem nem pensar que faz.

E vai continuar fazendo para o resto da vida se não compreender que esse é só o funcionamento natural da sua mente.

Você pode mudar isso se se comprometer a fazer diferente por algum tempo até que seu cérebro registre um novo padrão e o coloque no piloto automático.

E isso vai acontecer, inevitavelmente.

O grande problema aqui na verdade são 2.

Primeiro, você – e todo mundo – se acostumou a se culpar sempre que não consegue ter bons hábitos como se as outras pessoas – as que conseguem manter bons hábitos – fossem seres humanos superiores e superdotados. E olha aí a ironia: essa crença também é um hábito que pode ser mudado.

Segundo, a maioria das pessoas não é ensinada sobre como os hábitos são formados, então, vive sempre buscando hacks e fórmulas mágicas que resolvam as coisas de uma hora pra outra, ignorando o fato de que o sucesso mora na consistência.

Isso mesmo, na consistência.

Quando você faz alguma atividade repetidas vezes, seu cérebro coloca essa atividade no piloto automático, lembra?

Então, se você quer se exercitar todos os dias, se alimentar melhor, acordar mais cedo ou seja lá qual for o hábito saudável que queira implementar na rotina, você vai precisar compreender que, no começo, seu cérebro estará saindo da zona de conforto, sendo tirado do piloto automático e ele vai apresentar resistência.

Implementar qualquer hábito novo é mais difícil no começo porque você vai precisar se esforçar.

Mas esse esforço todo, consistentemente, vai ser registrado como um novo padrão de comportamento, como um novo hábito, e é aí que a mágica acontece e um hábito saudável entra na rotina de forma fluída e te permite, finalmente, parar de se esforçar tanto.

Esse é o processo e ele funciona.

Então, deixe a busca por fórmulas imediatistas de lado e invista energia em fazer todos os dias algo que faz parte do hábito saudável que você quer adquirir, mesmo que seja difícil, mesmo que você pense em desistir algumas vezes.

Confia no processo, mulher!

Uma indicação para que você se conheça melhor

Mulher, a jornada de autoconhecimento não é só sobre aprender a se amar mais ao reparar nas coisas boas sobre nós mesmas.

É também uma jornada sobre identificar o que é feio, o que a gente não quer encarar, o que a gente não gosta.

E, por incrível que pareça, encarar nossas sombras de frente também nos ajuda a nos amar mais.

Há um tempo atrás eu terminei de ler um livro que me ensinou muito sobre mim mesma enquanto ser humano.

Nessa leitura, aprendi sobre a espécie humana, sobre eventos que moldaram a forma como o homo sapiens pensa e age e como nós todos ainda carregamos muitas características dos nossos ancestrais até hoje e, por isso, frequentemente, agimos de maneira um pouco desconexa com a vida que a gente leva na atualidade.

O livro que me ensinou tanto se chama SAPIENS, e é um livro gigante, tanto na quantidade de páginas quanto na qualidade do assunto abordado, que eu preciso confessar: levei meses pra terminar de ler.

E isso aconteceu porque eu queria parar a leitura a cada capítulo pra tentar absorver o que eu li.

Foi explosão de cabeça atrás de explosão de cabeça! A cada informação nova sobre a nossa espécie eu conseguia identificar padrões de comportamento das pessoas hoje – incluindo eu mesma – nas adaptações que a gente precisou fazer para sobreviver no passado.

Vivemos numa realidade moderna em que existe comida em abundância a nossa disposição na geladeira mas ainda comemos mais do que precisamos porque nosso corpo foi programado por anos para ingerir o máximo possível de calorias, afinal, o homem primitivo caçador-coletor não tinha certeza de quando seria a próxima refeição.

Louco isso, né?

Então, quero te levar para uma reflexão.

Já imaginou quantos aspectos diferentes compõem a pessoa que você chama de EU?

Quantas coisas existem para ser conhecidas sobre você mesma?

Se a gente pensar apenas na nossa mente, ja existe um mundo à parte.

Se pensarmos na nossa biologia, outro mundo.

E ainda existe nossa aparência, nossa saúde, nossas crenças…

Autoconhecimento é algo muito amplo.

Por isso, se você gosta de ler e quer uma indicação para se conhecer melhor como espécie, recomendo fortemente a leitura de SAPIENS.

Você tem algum livro no mesmo estilo para me indicar? Deixa aqui nos comentários!

Minimalismo x Autoconhecimento

E aí pessoa que tá do outro lado da tela, tudo bem?

Se quando você escuta AUTOCONHECIMENTO a primeira coisa que você pensa é em algum teste aplicado por um Coach, você não está sozinho: essa era a primeira coisa que eu pensava também.

Mas autoconhecimento é algo mais abrangente e, ao mesmo, tempo, mais simples do que parece e é fundamental para quem quer seguir um estilo de vida minimalista.

Quando a gente fala sobre minimalismo, estamos falando sobre viver com menos. Menos posses, menos coisas para limpar, menos preocupações.

Mas, se a gente refletir um pouco sobre o ato de diminuir a quantidade de tudo o que a gente tem, vai chegar a uma conclusão inevitável: desapegar significa fazer escolhas e tomar decisões.

Então, não é de se admirar que um minimalista tenha uma quantidade diferente de coisas de outro e que, além da quantidade, uns irão possuir coisas que outros não vão.

E como a gente vai saber do que a gente vai desapegar e o que merece ficar? Como a gente vai conseguir olhar para as posses de outra pessoa e avaliar se é ou não relevante pra nós possuir aquilo? Como identificar que coisas fazem sentido para a nossa vida?

A resposta é simples: se conhecendo melhor.

Como eu, Mila, posso ter convicção o suficiente para não ter uma TV a cabo na minha casa mesmo que todo mundo que eu conheço tenha? Sabendo quem eu sou, qual a minha rotina e como é o meu relacionamento com a TV.

E esse não é só um exemplo retórico, eu realmente troquei a TV por assinatura aqui em casa pelos serviços de streaming.

Mas eu só pude fazer isso porque parei, respirei fundo, deixei o fato de todo-mundo-assistir-tv-a-cabo-menos-eu de lado e comecei a observar a minha necessidade, o que eu espero quando ligo a tv e qual seria a melhor opção para o meu estilo de vida e o estilo de vida da minha família.

Foi aí que eu consegui desapegar da tv a cabo e ficar apenas com os serviços de streaming. Nem antena de tv temos mais em casa.

Então, exercite o autoconhecimento e perceba quem você é, quais os hobbies que você realmente tem – não aqueles que você gostaria de ter – e como as coisas que você possuir podem servir ao tipo de vida que VOCÊ e SUA FAMÍLIA vivem.

Cada coisa que a gente possuir precisa ter um propósito pra merecer espaço na nossa vida – seja ele funcionalidade, entretenimento ou estética – e a gente só descobre qual é esse propósito quando a gente sabe quem nós somos e o que gostamos ou não de fazer.

E só para lembrar: isso não depende do que as outras pessoas fazem.

Autoconhecimento é olhar mais para dentro do que para fora.

No vídeo abaixo, o segundo vídeo da série MINIMALISMO NA PRÁTICA, eu falo um pouco mais sobre esse assunto com vocês.

Abraços e até semana que vem =D