Uma mulher que virou mãe não deixa de ser mulher

Antes de ser mãe eu fui uma tentante.

Tentei engravidar por cerca de 1 ano depois de ter sofrido um aborto espontâneo (tem post aqui no blog com esse relato).

E, quando eu estava tentando engravidar parecia que todas as mulheres a minha volta estavam engravidando ou tinham bebês de colo.

Quando a gente quer muito alguma coisa, nosso cérebro fica seletivo e faz com que a nossa atenção seja sempre direcionada para o que a gente quer – ou pelo menos para o que remete ao que a gente quer.

A realidade não é que o número de mulheres grávidas e bebês aumentaram repentinamente porque eu queria engravidar. Eu simplesmente notava as barriguinhas salientes e os bebês de colo com mais frequência.

Essa visão seletiva me fez notar mais do que os olhos podem ver. Me fez perceber comportamentos nas pessoas que lidavam com as mães e futuras mães.

Na época que eu estava tentando engravidar, uma grande amiga minha tinha conseguido. Nós trabalhávamos juntas, nos víamos todos os dias e, obviamente, nosso assunto quase sempre era sobre gestação e filhos.

Minha amiga ganhou a filha dela, entrou de licença maternidade e voltou a trabalhar quando a licença terminou.

E aí que eu comecei a perceber uma coisa interessante na empresa que a gente trabalhava.

Veja bem, minha amiga agora era mãe. Precisou colocar a filha na escola com 4 meses de vida – como a maioria das mulheres que volta a trabalhar depois de se tornar mãe – mas, ainda que a bebê ficasse na escola em período integral, ela ainda era mãe.

No final do expediente, ela corria para buscar a filha na escolinha. Pela manhã, só chegava no escritório depois de deixar a filha na escolinha também. Nos finais de semana, nem se ouvia falar dela no trabalho.

Minha amiga fazia o horário de trabalho normal dela, sem ficar devendo nada para a empresa.

E, então, depois de alguns meses, ela foi chamada na sala do chefe. Aparentemente a empresa não estava satisfeita com o fato de ela fazer apenas as horas normais de trabalho.

Veja bem, antes de engravidar, minha amiga costumava fazer horas extras com frequência. Ficar até mais tarde durante a semana ou chegar mais cedo e trabalhar alguns finais de semana e feriados não era nada incomum pra ela. E, ao que parecia, a empresa esperava que esse ritmo de trabalho iria continuar, independentemente de ela ter um bebê de colo em casa.

Isso me marcou. Esse causo aconteceu há anos atrás, antes de eu ser mãe e, mesmo depois de tanto tempo, eu nunca esqueci.

Esse causo, aliás, foi um dos principais motivos que me fizeram decidir parar de trabalhar quando a Luna nasceu.

Cuidar das crianças é um trabalho por si só. E muito bem remunerado para quem não é mãe. Faça uma pesquisa rápida no Google por “babás” e você vai se impressionar com o quanto você precisaria desembolsar se precisasse contratar uma babá.

Mas as mães, por algum motivo, sofrem uma pressão injusta para dar conta do trabalho de mãe e do trabalho remunerado.

As pessoas esperam isso de nós. Elas esperam que as mulheres vão fazer tudo sem reclamar e sem receber ajuda. E, por incrível que pareça, elas criticam todas as mães, tanto as que escolheram parar de trabalhar fora para cuidar dos filhos quanto as que decidiram continuar trabalhando.

Aliás, críticos não faltam quando o assunto é maternidade. Existem opiniões de todo o tipo sobre cada aspecto da criação de um filho mas nenhum deles te permite escapar das criticas: de uma forma ou de outra, você nunca estará fazendo certo, mulher.

É difícil ser mãe? Para mim, não. A parte difícil não é ser mãe. A parte difícil é ser induzida a sofrer uma metamorfose e deixar de ser uma pessoa para se tornar apenas mãe.

Você quer ponderar os prós e contras com atenção para fazer a escolha entre continuar trabalhando fora ou parar, considerando o que é melhor para a sua família? Cuidado! Alguém vai achar que você não ponderou nada e te julgar. Afinal, todas as suas decisões agora tem que ser tomadas sob o ponto de vista de uma mãe, não de uma pessoa.

Quem nunca ouviu alguém criticar uma mulher que deixou os filhos com a avó pra ir numa festa como sendo uma péssima mãe?

Gente, isso é muito tóxico!

Uma mãe sobrecarregada é uma mulher que foi condicionada a se culpar sempre que faz qualquer coisa que não seja em função dos filhos.

E isso não é saudável, sabe por quê?

Claro, a sobrecarga emocional de uma mulher que exerce apenas o papel de mãe já seria um bom motivo.

Mas, principalmente, porque seus filhos estão aprendendo como é ser um adulto ao observar a forma como você se comporta.

Não é o que você fala para os seus filhos que vai molda-los como os adultos que você quer que eles sejam, é o que você faz.

Se você é uma mãe que nunca se diverte, nunca dedica um tempo para si própria e acaba estourando de tempos em tempos por causa da sobrecarga – embora seus filhos não saibam que você se sente sobrecarregada – eles vão registrar que é assim que uma mãe se comporta.

Suas filhas, quando forem mães, irão inconscientemente se boicotar quando estiverem vivendo uma vida plena e equilibrada, afinal, não é assim que o cérebro delas registrou a forma como uma mãe deve ser.

Seus filhos, provavelmente irão sobrecarregar as esposas, afinal, mães fazem tudo sozinhas e tem que fazer mesmo, foi assim que eles te observaram a vida toda.

É muito melhor pra os seus filhos te verem como um ser humano que erra e acerta sempre tentando fazer o melhor do que uma mãe que tenta ser perfeita e acaba se sobrecarregando e se sentindo sempre sozinha.

Mas calma, isso não é um ultimato. É apenas a maneira como as crianças irão se comportar como adultos naturalmente, sem fazer nada sobre o assunto. É claro que com a ajuda de um bom terapeuta eles poderão mudar essa realidade.

E eu digo isso porque é isso o que está acontecendo comigo hoje, em 2021, quando este texto está sendo escrito.

Eu estou fazendo terapia e aprendendo que muitos comportamentos que eu tenho e que estão desalinhados com a vida que eu amaria viver, são na verdade, registros inconscientes da forma como minha mãe se comportava sendo copiados por mim sem nem eu perceber.

Então, independente do que esperam de você ou de que te ensinaram, pare e reflita: que tipo de mulher você gostaria de ser hoje e que tipo de mulher você gostaria que sua filha fosse no futuro?

Uma mulher que virou mãe não deixa de ser mulher.

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Eu sofri um aborto espontâneo

O post de hoje vem acompanhado de um pedido: por favor, compartilhe com todas as mulheres que você conhece que já passaram por um aborto espontâneo. É doloroso e eu gostaria de dizer pra você, que está lendo e está passando por isso, que você não está sozinha.

Blog-mila-bueno-aborto-espontâneo

Antes de engravidar da Luna, um ano antes, eu sofri um aborto espontâneo.

Quando eu engravidei, tanto eu quanto meu marido ficamos muito animados. Contamos pra todo mundo logo que descobrimos e a empolgação foi geral. Cada amigo ou familiar que nos encontrava trazia um presentinho, tanto pra mim quanto para o futuro bebê. Eu marquei uma consulta com uma ginecologista para começar meu pré natal e não via a hora de começar logo a sentir o que era estar grávida, afinal, nas primeiras semanas, em geral, você não sente nenhuma mudança significativa além da ausência da menstruação. Ainda não tinha enjoos nem náuseas e, obviamente, nada de barriga.

Pois bem, quanto eu estava com 8 semanas de gestação, cerca de 2 meses, estava no trabalho, fui ao banheiro e notei um pequeno sangramento. Conversei com uma amiga que já tinha passado por um aborto e ela me disse que aquilo não era bom sinal e, pra ter certeza de que tudo estava bem, me aconselhou a ir ao hospital na hora. Liguei para o meu marido e fui. Nos encontramos lá, fiz a triagem e fui direcionada para o setor de obstetrícia. Primeiro, passei por um exame de toque e, logo em seguida, fui para um ultrassom.

Meu marido estava do meu lado e a médica não falava nada durante todo o exame. Ela olhava para a tela fixamente e então eu tive que perguntar o que estava acontecendo. Então, ela me falou que o feto não tinha batimentos cardíacos e que, na imagem do ultrassom, era para aparecer uma forma esbranquiçada contínua no meio da parte escura, e a minha estava cheia de falhas nas bordas. Eu fiquei perguntando o que isso significava, e ela apenas se levantou, disse que sentia muito e saiu da sala. Eu tinha perdido o bebê.

Nesse momento eu fui ao banheiro me trocar e comecei a chorar descontroladamente. Saí para a sala de ultrassom pra encontrar meu marido na mesma situação. Depois de mais algumas conversas padrão com os médicos, nós fomos pra casa e tivemos que fazer uma das coisas mais desconfortáveis de todo esse processo: contar para as pessoas que nós tínhamos perdido o bebê.

Ligamos para os nossos pais, depois mandamos algumas mensagens para os amigos e ouvimos as mesmas palavras de apoio de todos. Não me leve a mal, eu sei que cada um deles sabia da nossa dor e só queria nos animar, afinal, eram todas pessoas muito amadas e estavam pensando no nosso bem, mas eu, pessoalmente, só queria poder pular essa parte e ficar de luto pelo meu bebê, sozinha.

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E agora, vou começar a falar somente da perspectiva da mulher que perdeu o bebê. Tudo isso que contei acima aconteceu numa terça-feira. Eu tive 3 dias de licença e, claro, meu marido não, então, fiquei em casa sozinha processando tudo isso durante os 3 dias que seguiram. Como a gestação ainda estava bem no comecinho, não precisei de nenhuma intervenção médica para eliminar os resíduos, por assim dizer. Na quarta e quinta-feira, passei os dias, literalmente, vendo meu sonho de ser mãe indo pelo ralo. Não deu tempo de ir à consulta ginecológica que tinha marcado, eu perdi o bebê antes.

Eu tenho uma lembrança desses dias que ficou grudada na minha cabeça: de mim, sentada no sofá, chorando, logo depois de ir ao banheiro e eliminar mais um pouquinho dos resíduos, vendo um desenho que eu via com a minha mãe quando eu era criança e pensando se um dia eu faria isso com a minha filha.

É, meio dramático mesmo. Mas é assim que a gente se sente quando perde um bebê, principalmente porque, quando finalmente fui à consulta e perguntei o porquê de isso ter acontecido, não havia explicação. Hoje, eu entendo que isso é muito comum de acontecer e descobri que, eventualmente, seu organismo identifica alguma falha no desenvolvimento do embrião e o elimina. Um mecanismo de defesa natural, digamos assim. É normal, não tinha nenhum problema com o meu sistema reprodutor e eu não tinha feito nada de errado. Mas tanto eu quanto qualquer mulher que passa por isso não consegue parar de tentar encontrar um erro. “Por que as outras mulheres conseguiram eu eu não?”

O processo pra tentar de novo depois do aborto foi bem cansativo, digamos assim. Meu médico me pediu uma série de exames e eu tive que esperar alguns ciclos menstruais para tudo voltar ao normal. Quando ele finalmente me liberou pra voltar a tentar engravidar, demorou meses pra finalmente acontecer. Acredite, a ansiedade é a maior inimiga das tentantes.

Mas aconteceu. Eu engravidei de novo, minha filha nasceu saudável e nós passamos várias manhãs sentadas juntas no sofá vendo desenhos animados, cantando as músicas tema e repetindo as falas das personagens. Foi em uma dessas manhãs, na semana passada, que eu lembrei do dia logo após meu aborto. Do dia em que eu sentei no sofá sozinha, chorando, imaginando quando ela iria chegar.

E ela chegou!

Minha princesa! 🥰

Um abraço e até semana que vem 😉

Sabe qual o maior desafio para mim sobre ser mãe?

No clima de aniversário da minha filha Luna, que fez 2 anos nesse mês de abril, eu lembrei dessa pergunta que só era respondida na minha cabeça e acho que precisava vir para o blog.

Sabe qual o maior DESAFIO pra mim sobre ser mãe? Não são os cuidados com a Luna – saber trocar fraldas, alimentar, dar banho, colocar pra dormir – pra isso tudo tem informação de sobra. Tem as avós da criança te dando dicas desde a gestação, livros e mais livros escritos sobre cada vertente da educação infantil – é só escolher o que combina mais com a sua família -, muito conteúdo online – afinal, estamos vivendo em uma época em que o acesso às experiências de outros pais e aos estudos e descobertas de pessoas qualificadas no assunto é muito fácil – enfim, como lidar com um bebê e uma criança é desafiador mas não é o mais difícil.

Então, o que é o mais difícil pra você, Mila?

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL.

Quando você se torna MÃE, você não deixa de ser GENTE.

Antes da gravidez, existia uma MULHER. Ela sentia SONO após cerca de 12 horas acordada, FOME após cerca de 4 horas sem comer e CANSAÇO quando fazia alguma atividade por um longo período de tempo. Ela assumia vários papéis na vida: filha, irmã, o SER – ser mulher, ser vaidosa, ser alguém com personalidade própria -, esposa, profissional e amiga. Essa mulher também tinha OBJETIVOS e EXPECTATIVAS a respeito de cada um dos papéis que assumia.

Aí essa mulher engravidou e, durante todo o período de gestação, virou um coquetel de hormônios que mudou muito o seu corpo e sua mente. Aliás, somente saber que iria se tornar mãe já provovou mudanças significativas em algumas formas de pensar.

Depois do PARTO, sabe o que aconteceu?

Essa MULHER continuou lá!

Não, ela não morreu pra dar lugar a uma mãe. Essa mulher cheia de papéis apenas adicionou mais um papel à lista. Agora ela é FILHA, IRMÃ, MULHER, ESPOSA, PROFISSIONAL, AMIGA e…

MÃE!

Se antes de ter um bebê eu me sentia quebrada na manhã seguinte à UMA NOITE em que eu não dormi minhas 8 HORAS de sono habituais, imagine após UMA SEMANA dormindo no máximo 3 HORAS seguidas. Imagine após 3 MESES. Some à falta de sono a necessidade de aprender uma nova habilidade – AMAMENTAR.

Se era difícil manter uma alimentação saudável comprando e cozinhando refeicões só pra 2 adultos que entendem a importância da alimentação correta, imagine ter que dar de comer para um terceiro ser humano – que não prende a atenção em nada por mais de 1 minuto – e fazê-lo comer tudo o que tem no prato.

BEBÊS SÃO ETÊS.

Esse definição que ouvi uma vez deixou muito claro pra mim como é o mundo para uma criança pequena. Elas estão em um lugar DESCONHECIDO onde não entendem o conceito de CERTO e ERRADO e nem sabem se comunicar. Já que não entendem o IDIOMA ainda, elas aprender por observação, na base da TENTATIVA e ERRO, copiando TUDO o que as únicas formas de vida com quem eles tem uma conexão pré estabelecida fazem: mamãe e papai.

Como mãe, é minha responsabilidade ser EXEMPLO para esse ser observador, que precisa de um modelo para copiar.

Mas eu não sou uma máquina programada apenas para esse papel, eu SOMEI essa função a todas as outras que já exercia, sou multifuncional. E para que eu tenha SUCESSO no exercício de todos os meus papéis, partindo do ponto de que o último papel que assumi – a maternidade – acaba afetando os demais, não preciso me prender a uma busca incessante por mais informação específica sobre ele. Preciso investir em minha INTELIGÊNCIA EMOCIONAL. Preciso me conhecer muito bem e, em decorrência disso, saber lidar comigo mesma e REAGIR ao que me acontece com SABEDORIA. Só assim vou conseguir equilibrar todos os pratos no ar – sem deixar nenhum cair e quebrar – e ser FELIZ no processo.

E sabe de uma coisa? Fazendo isso, acredito que darei um bom exemplo sobre um aspecto muito importante da vida para esse etezinho que está me modelando – minha filha.

Gravidez, parto e amamentação

Quando eu engravidei, tinha planos e expectativas pra quando minha filha chegasse, como quem planeja uma viagem de férias. Um dos planos era ter um parto normal. Outro era amamentar no peito até os 7 ou 8 meses do meu bebê. Ia ser assim, porque eu ia fazer acontecer assim. Eu era flexível, sabia que as coisas poderiam acontecer de outra forma, mas, por outro lado, lá fundo achava que eu tinha o poder de decidir previamente como seria. Mal sabia eu que algumas coisas estão além do meu poder de decisão.

Pra começar, tive hiperemese gravídica e desenvolvi um certo grau de labirintite durante a gravidez. Fui afastada do trabalho, e mal conseguia tomar banho sozinha sem que minha pressão caísse, eu ficasse tonta e quase desmaiasse. Imagine como era quando precisava sair de casa! Isso durou a gravidez inteira. Foi um dos períodos de maior mal estar que passei na vida. A única coisa boa era saber que minha filha estava ali, saudável.

Cheguei nas 37 semanas de gravidez e, na consulta de rotina, soube que estava com 1 dedo de dilatação! Ieeei! O parto normal tava chegando! O que o meu médico disse foi o seguinte: “Vá ao hospital que você escolheu para o parto em uma semana. Vai ser feriado e eu estarei lá de plantão. Mas, pra irmos acompanhando seu desenvolvimento, vá em dois dias para fazer alguns exames.” No dia seguinte à consulta tive um pequeno sangramento, então liguei pro médico e adiantei a ida ao hospital. Passei o dia fazendo exames e a dilatação foi pra 3 dedos! Ieeeeeeei!

Ligaram pra o meu médico do hospital e ele me recomendou voltar ao consultório dele em 3 dias. Voltei, e estava tudo igual. A dilatação não aumentou e ele disse pra eu voltar no feriado, quando estaria com 38 semanas, conforme a recomendação inicial.

Chegou o feriado, levantamos cedo e fomos, sem malas nem nada, acreditando que seriam apenas mais exames de rotina. Ah, uma informação importante: quando eu estava com 34 semanas, mais ou menos, foi visto no ultrassom que meu líquido amniótico estava um pouco abaixo do esperado. A recomendação foi que eu tomasse bastante água. Tomei, o nível subiu no ultrassom seguinte e tudo parecia bem.

Pois bem, quando estávamos no hospital, na 38ª semana, feriadão, ultrassom indicou que o líquido tinha baixado de novo, muito. Ligaram pra o meu médico, ele estava no hospital fazendo outros partos e falou comigo no telefone: “Eu não gosto de esperar quando isso acontece, querida. O bebê pode estar em ‘sofrimento fetal’. Vamos fazer uma cesárea hoje?

Falei para o meu marido, olhamos no fundo dos olhos um do outro e o coração quase saiu pela boca! Era agora. Nossa filha ia nascer, e de cesárea.

Na hora do parto, meu médico viu que o líquido não estava baixo, estava seco! O timing dele foi perfeito.

Meu parto foi maravilhoso! Fotografamos tudo, os tios e avós estavam assistindo por uma janelona de vidro pelo lado de fora da sala de parto. Eu tinha muito medo da anestesia, mas acabou sendo uma das partes mais tranquilas do processo.

Maravilha, agora vamos amamentar!

Eu tinha bastante leite, vazava na roupa que era uma beleza e minha filha estava engordando bem.

Até que um belo dia, ela começou a chorar pra tudo. No banho, na troca de fraldas, antes e depois das mamadas.

Ela ficava cerca de uma hora no peito, demorava pra pegar no sono, dormia por mais ou menos uma hora e acordava de novo, chorando, pra mamar. Foram dois dias assim e eu achei que ia desmaiar de cansaço a qualquer momento.

Ficamos preocupados com ela, achando que ela tinha alguma dor ou algo que a incomodasse. Marcamos um encaixe no pediatra e quando ele bateu o olho nela, já soltou um “Nossa, cadê as bochechas da última consulta? Acho que ela emagreceu!”

Eu pensei que aquilo não era possível! Ela só mamava! O médico pesou minha pequena e ela tinha perdido 200gr. Ela tinha 1 mês e meio, tinha que estar engordando. O pediatra começou a perguntar sobre nossa rotina, como de costume, e quando falei como tinham sido os últimos 2 dias, ele bateu o martelo: o problema dela era fome! Por isso passava tanto tempo no peito numa frequência tão alta. A recomendação médica foi que eu continuasse dando o peito e complementasse a mamada com a fórmula, que compramos no mesmo dia.

Foi o paraíso na terra! Acabou a choradeira, dormia bem de novo, tudo estava como deveria ser.

Uma semana depois, meu leite secou. 1 mês e meio. Foi o quanto eu amamentei.

E eu, estava triste por que o parto não foi normal e meu leite secou cedo? Não! Graças aos céus existe a opção de fazer uma cesárea e tirar minha bebê antes que qualquer problema pudesse acontecer com ela! Deus abençoe o desenvolvedor das fórmulas infantis, porque, sem elas, minha filha não teria chegado aos 6 meses tão bem nutrida e engordando tão bem!

Liberte-se! Aceite o presente! Abrace a sua vida como ela é! Não dá pra mudar o passado, já está feito. O futuro ainda não existe na nossa realidade. Tudo o que temos é o agora, então, seja feliz agora!

Antes de ir embora, me conta aqui nos comentários se você já passou por alguma das situações que eu passei e como foi pra você.