“Sou minimalista. Como convencer as pessoas ao meu redor a se desfazer das suas tralhas?”

Ultimamente tenho percebido uma dúvida constante entre as pessoas que seguem o estilo de vida minimalista: Como convencer a pessoa que mora comigo a se desfazer das tralhas que ela acumula?

É, acho que essa é a batalha travada por todos que começam a seguir o estilo de vida minimalista e acredito que por todas as pessoas que decidem fazer diferente, que escolhem hábitos alternativos ao senso comum, seja em qual área da vida for.

Esse texto está sendo escrito pra te ajudar a lidar com esse problema de forma positiva e leve, digamos, de forma minimalista!

Hoje, eu entendo o minimalismo como a forma mais certa de se levar a vida.

Para mim.

Para minha família.

Ponto.

Não sei se já contei pra vocês aqui no blog mas eu já fui bastante consumista. Então, acho que, como alguém que já viveu os dois extremos – consumismo e minimalismo – posso declarar que, minimalismo não é o contrário de consumismo.

Não.

Dizer isso seria desmerecer demais o conceito do minimalismo que é tão mais profundo e abrangente. Não, não se trata apenas de bens materiais. Abrange o mental e o emocional muito mais que o material. Aliás, o minimalismo começa na mente.

Então, como você vai persuadir alguém a se desfazer das coisas? Simples, não vai.

Eu sei, não era essa a resposta que você esperava. Mas essa é a verdade. O minimalismo é o foco no que é importante para cada um de nós, como indivíduos únicos e singulares, eliminando todos os excessos, as sobras, as atividades e tarefas que ofuscam nossa atenção daquilo que realmente nos faz feliz e realizados. Isso faz com que nós, que seguimos o estilo de vida minimalista, tenhamos menos coisas. Assim como menos tarefas. Assim como menos preocupações. Assim como menos relacionamentos rasos. E por aí vai, porque, no final das contas, é surpreendente a quantidade de coisas que só estavam na nossa vida “porque sim”.

Mas calma que eu não vou te deixar desamparado e sem resposta.

Meu conselho para você, como alguém que conviveu bastante com pessoas não-minimalistas quando se trata de excesso de bens materiais, é o seguinte: compreenda que, assim como hoje você acredita piamente que o modo de vida minimalista é a melhor coisa que existe no universo por causa de todos os benefícios que ele te traz, as outras pessoas podem acreditar no que acreditam exatamente pelo mesmo motivo.

De alguma forma, em algum momento, fez muito sentido para elas ter todas as coisas que tem. Por algum motivo, muitas vezes emocional, as pessoas não conseguem desapegar. Seja pelo período histórico em que viveram, pela família em que foram educados ou pela quantidade de dinheiro que possuíam na juventude ou ainda a combinação de todos esses fatores. Algumas pessoas acreditam piamente que não faz sentido se desfazer de nada.

E sabe como você pode ajuda-las? Permitindo que os benefícios do minimalismo na sua vida falem mais alto que suas palavras pedindo para que essa pessoa “peloamordedeus, jogue fora toda essa tralha”. Focando seus esforços no que é importante: alcançar uma vida mais significativa aplicando os conceitos do minimalismo na sua própria vida.

Pequeno lembrete pra você: nenhum destralhe vale a pena se custar o bom relacionamento com a sua família.

Pra mim, isso entra na primeira posição da categoria “importância”.

E se você quer uma ajuda específica para a arte do desapego, tem material gratuito desenvolvido com muito cuidado por mim aqui na área de DOWNLOADS do site. Vai lá conferir!

O que eu aprendi passando um tempo fora de casa

Eu estou passando por um período em que estou morando fora da minha casa e precisei, literalmente, empacotar minha vida e colocar em um guarda móveis. Então, já vou adiantar pra vocês que o que eu aprendi passando um tempo fora de casa foi o que todo mundo que passa por essa situação aprendeu também, seja fazendo um intercâmbio ou tendo que sair de casa mesmo por algum motivo: a ser mais minimalista.

Todo esse período que, a principio pareceu muito ruim, afinal tive que sair da minha casa, mudar minha rotina e coisa e tal, no fim das contas está sendo muito bom, porque trouxe aprendizados que vou levar pra vida inteira e quero compartilhar com vocês hoje.

menos-e-mais

Primeiro, aprendi a viver com menos.

Isso é uma coisa que eu já tinha ouvido muito por aí quando se fala sobre os benefícios de ser mais minimalista e é um conceito do qual eu era até simpatizante mas que nunca coloquei em prática.

Parece que se caía uma graninha extra ou a gente via um espacinho sobrando em casa nós tínhamos que comprar, comprar e comprar e foi quando a grana ficou escassa por aqui, quando tivemos que mudar a rotina de consumo na nossa família, quando eu precisei avaliar muito bem cada item que entrava em casa que fui percebendo, aos poucos, que dá sim pra viver com menos.

Segundo, comecei a colocar em prática de uma forma bem natural o conceito de que se-alguma-coisa-não-foi-usada-no-último-ano-é-uma-forte-candidata-a-ir-embora.

Esse conceito também era familiar pra mim mas, na hora de aplica-lo à minha vida não funcionava muito bem, porque eu ainda achava que iria usar aquele item algum dia. Comecei a olhar para cada uma das coisas que possuo e pensar que se eu não usei alguma dessas coisas em um período de 12 meses, que abrange todas as datas comemorativas e as 4 estações do ano, eu preciso ter um olhar mais crítico e talvez desapegar dessas coisas. Isso, hoje, se tornou um hábito pra mim. No começo, a resistência foi enorme.

Terceiro, comecei a observar meus pertences com mais carinho

Com mais cuidado, com aquele olhar do tipo “eu escolhi esse item com tanto amor na hora da compra que não vou me desfazer dele agora porque tem um pequeno defeito ou só porque outra cor está mais em alta”. E aí entra uma coisa que eu descrevo como o paradoxo do desapego: olhar o que precisa ir embora com frieza, o que precisa ficar com carinho e saber identificar qual é qual.

desapegue

O que precisa ficar, o que eu gosto muito, se não serve mais ao propósito original, pode ganhar novos usos, uma nova cor, uma utilidade diferente. O que eu nem gosto tanto ou uso muito esporadicamente a ponto de valer mais a pena alugar ou pedir emprestado quando precisar usar ao invés de ter, precisa ir embora sem dó.

Isso tudo foi um processo. Um processo que eu fui obrigada a fazer e, portanto, comecei fazendo com uma tromba na cara, como diria minha mãe. Com o tempo, com tudo o que aprendi, li e ouvi, comecei a encaixar as peças e esse novo modo de pensar meus hábitos de consumo fez mais sentido que nunca pra minha vida.

É como dizem, às vezes a vida te vira de cabeça pra baixo e aí você descobre que assim é que é o seu jeito certo!

Se tem alguém aí que passou por um processo parecido, conta pra mim nos comentários.