ESCRITA AFETIVA

Sobre unhas feitas e mudanças

Veja se você já teve um pensamento desse tipo: “o que eu estou fazendo no momento não está dando certo, então, eu preciso encontrar outro jeito de fazer isso, que dê certo de uma vez por todas.” Já teve um pensamento assim?

Essa semana eu comecei a pintar as unhas de novo depois de um longo período sem cuidar muito bem delas.

Na adolescência, eu fazia minhas próprias unhas, com direito a tirar cutículas, lixar caprichosamente, esmaltar e fazer até desenhos simples nelas. Depois, parei de fazer isso por tomar bastante tempo e coloquei na cabeça que precisava encontrar uma boa manicure, afinal, eu gostava de estar com as unhas feitas mas não queria dedicar tempo e energia pra fazer eu mesma.

Meu raciocínio número 1 foi “Não deu certo fazer minhas próprias unhas então eu não vou fazer mais, nunca, e preciso de uma manicure para fazer isso pra mim, sempre”.

Só que, além de não encontrar uma manicure e deixar de fazer as unhas sozinha, eu enfrentei um grande um aperto financeiro que me fez repensar esse raciocínio inicial. Se eu queria ter as unhas feitas mas não podia pagar por esse serviço, eu precisava voltar a fazer minhas próprias unhas.

Meu raciocínio número 2 foi assim: “não posso pagar para alguém fazer minhas unhas e sei fazer isso eu mesma, então, preciso parar de bobagem e fazer esse trabalho, sempre, e não contratar o serviço de uma manicure, nunca”.

O tempo passou, eu olhava com admiração para as unhas bem feitinhas das outras mulheres – e automaticamente para as unhas mal cuidadas nas minhas mãos – e acabava me sentindo frustrada. Qual era o certo afinal de contas? Pagar para uma manicure fazer minhas unhas ou fazer eu mesma?

Foi quando o raciocínio número 3 começou a se formar, com a contribuição do processo de terapia, que tocou em feridas profundas e me mostrou que eu precisava desenvolver raciocínios mais realistas e olhar para mim mesma com mais carinho e paciência.

Eis o raciocínio número 3: “se eu puder pagar parar fazer as unhas e a oportunidade aparecer, eu pago. Se eu não puder pagar mas fizer questão de ter as unhas feitas, farei as unhas eu mesma. Se eu estiver com outras prioridades ocupando todo meu tempo, vou apenas cortar as unhas e aprender a enxergar beleza nelas como estão, sustentando a ideia de que, agora, neste momento, eu estou fazendo o melhor que posso”.

Bonito, né?

Eu acho que nunca tinha entendido essa filosofia de vida com tanta clareza até escrever ela aqui agora e é muito interessante observar o contraste entre ler essa ideia e aplicar ela na vida cotidiana. Em um texto, esse conceito é lindo. Na vida real, é sofrido de se transformar em um hábito.

O fato é que essa ideia tomou o lugar de outra, a que defendia que existia apenas uma resposta certa para cada questão da vida e que se algo não está dando certo é porque está errado. Essa linha de pensamento me levava a permanecer em uma busca constante pela tal da resposta certa, para tudo.

Mas o xis da questão é que única coisa constante na vida é a mudança. Algo que funcionava até então e não está funcionando mais não estava necessariamente errado, era apenas adequado a um momento da vida que mudou e, consequentemente, vai precisar se readequar.

Aprender a respeitar as escolhas que eu fiz no passado, confiando que eu fiz o melhor que pude com as condições que tive naquele momento, e aceitar desapegar dessas escolhas quando a hora chega, foi uma dupla de processos muito intensos pra mim, porque envolveram enfrentar crenças que eu sustentava mas que já não eram mais minhas.

Minha forma de fazer as unhas é só um pequeno exemplo que representa como um raciocínio pode evoluir e se tornar mais saudável, se adequando melhor a quem a gente escolheu ser em detrimento do que nos disseram pra ser. 

Então, e se você não precisasse encontrar a resposta certa, mas apenas aceitar que algo está certo enquanto faz sentido e depois vai precisar mudar para se adequar?

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