Sim, sou feminista. Você sabe o que é feminismo?

Oi, gente!

Sim, sou feminista. E sou casada. E sou mãe.

Se você acredita que mulheres feministas são, por definição, inimigas dos homens, contra a instituição do casamento e anti-gravidez, talvez esteja um pouco confuso com a declaração que fiz acima.

Por favor, não compreenda expressões de si mesmo em favor de uma crença com o conceito da crença em si. Você provavelmente já viu imagens ou notícias de passeatas de mulheres feministas, onde, algumas delas, declaravam ser a favor do aborto, defendiam o direito de uma “mulher ficar solteira” ou diziam que as mulheres tem o direito de nunca terem filhos, se não quiserem. Isso não é a essência do feminismo, são apenas possíveis resultados do exercício dele.

Veja bem, recentemente eu estava lendo algo bastante interessante sobre a forma como a nossa mente percebe aquilo que está a nossa volta. Em termos simples, existe muito mais coisas acontecendo do que nosso cérebro é capaz de registrar e armazenar. Por isso, desde crianças, nossa mente começa a filtrar, dentre tudo o que observa, os padrões que mais se repetem para poder focar sua atenção neles e parar de dedicar energia para o resto.

Por exemplo, já foi observado cientificamente, que nós saímos da barriga da mamãe com pré disposição para falar qualquer idioma, mas, quando crescemos, sentimos uma certa dificuldade em articular os sons de uma outra língua que estivermos estudando. Por quê? Porque nosso cérebro percebeu quais sons eram produzidos e quais músculos eram necessários mover para falar o idioma da nossa terra natal e dedicou total atenção a eles, eliminando todo o resto. Foi definido um padrão mental para falar português.

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O conceito do feminismo diz respeito a IGUALDADE. Se você acredita que feminismo está para machismo assim como claro está para escuro, sinto lhe dizer que você está acreditando errado.

O feminismo diz que uma mulher tem TANTO direito de ir e vir com QUANTO um homem, tem o direito de receber A MESMA admiração por suas escolhas de carreira QUANTO um homem, merece IGUAL respeito em relação às suas escolhas sobre família e relacionamentos QUANTO um homem e deve ser remunerada NA MESMA MEDIDA se tem as mesmas competências de um homem e ocupa o mesmo cargo.

TANTO QUANTO…A MESMA…IGUAL…NA MESMA MEDIDA. Não é mais, não é menos, é igual.

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A questão é que, o padrão mental da maioria de nós foi definido para entender como certo alguns padrões bem limitantes em relação às mulheres. Qualquer tentativa de igualdade passa a ser entendida como uma tentativa de ser superior, porque foge ao padrão e soa muito estranho.

Me permite pegar um pouco pesado? Acho que agora é preciso: o resultado da relação sexual para um homem é sempre o orgasmo, esteja esse homem em um relacionamento ou não e, até mesmo se essa relação for só com as próprias mãos. Para as mulheres, o resultado nem sempre é esse. Mas tudo bem, por muito, muito tempo, o resultado de uma relação sexual para a mulher não foi o prazer, mas sim, engravidar. E, caso houvesse prazer, que ele fosse proporcionado por um homem, e que esse fosse o seu marido. Fez-se um padrão mental que, até os dias de hoje, diz que se não houver prazer nenhum para elas algumas vezes, tudo bem.

Percebeu como soa estranho e radical da minha parte? Mas, se você prestar atenção, estou apenas falando em 2 pessoas obtendo o mesmo resultado do mesmo ato. Tanto homem quanto mulher terem o direito de chegar ao ápice do prazer a cada ato sexual de que participarem.

Leve isso para todas as demais áreas da vida e talvez você perceba que ainda falta igualdade em muitas áreas. Pessoalmente, acho que as consequências disso são bem negativas, para ambos os sexos.

As mulheres que escolhem ter filhos e engravidar, tem direito a uma licença maternidade, o que significa poder dedicar um período de tempo exclusivamente para a cria. Qual o padrão mental comum para essa situação? Ela, a mãe, tem o direito e o dever de passar alguns meses com seu bebê e, caso ela precise de ajuda – e ela vai precisar – essa ajuda deverá vir de outra mulher da família – de sua mãe ou irmã – nunca da pessoa com quem ela escolheu dividir a vida e ter o bebê. Ele, o pai, tem o direito e o dever de voltar a trabalhar alguns dias depois do nascimento do bebê.

Ela não tem o direito de decidir quando voltar a trabalhar e se quer voltar e, ele, não tem o direito de acompanhar de perto o desenvolvimento da cria, e estar lá para auxiliar a mulher no pós parto, se quiser.

Me descobri feminista quando comecei a pensar em essas e outras questões e elas começaram a soar muito equivocadas. Quando percebi que, alguns assuntos que conversava com o meu marido sobre nossos deveres e direitos, tanto em relação ao nosso casamento quanto às nossas visões de mundo pareciam tão estranhas quando expressadas para outras pessoas. Me descobri feminista quando minha resposta à algumas notícias e comentários envolvendo o sexo feminino era apenas um grande “não, isso não está certo”.

E se você se identificou com alguma coisa que eu citei, fique atento: você pode ser feminista e ainda não percebeu.

Abraços e até semana que vem 😉
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